Category Archives: A Acupuntura

Descoberta de novos pontos de acupuntura

meridian image 300x176 - Descoberta de novos pontos de acupuntura

Segundo a tradição chinesa, havia tantos pontos de acupuntura quantos os dias do ano.

Desde há uns vinte anos que este número foi largamente ultrapassado. Através de um estudo sistemático da pele, investigadores chineses e ocidentais descobriram muitos pontos novos. Estes têm por vezes uma ação claramente especifica, e o leitor encontrará alguns deles nos capítulos que se seguem.

Os novos pontos encontram-se frequentemente em sítios privilegiados: planta dos pés, palma das mãos, couro cabeludo, nariz e principalmente orelha. A descrição dos pontos da orelha representa atualmente um dos ramos da acupuntura: a aurículoterapia.

images?q=tbn:ANd9GcQnr1cFYp9yCY9fEyWoBv1Sef0END3OkHSMlduPeITLp6JWCudq - Descoberta de novos pontos de acupuntura

Especialização cada vez maior dos pontos

Acupuntura 300x200 - Especialização cada vez maior dos pontos

É esta uma das mais importantes e das mais interessantes descobertas da investigação chinesa contemporânea.

O seu ponto de partida foi a anestesia acupuntural. Era, como já vimos, uma aplicação nova do método. Assim, os Chineses começaram por utilizar, para operar um pulmão, por exemplo, todos os pontos indicados pela tradição.

Deste modo, as primeiras intervenções (eram feitas recorrendo a várias dezenas de agulhas, que eram sem cessar movimentadas por assistentes enquanto durava a intervenção. Imagina-se facilmente a acumulação de pessoas e as dificuldades que isso acarretava dentro de uma sala de operações.

Pouco a pouco, graças a uma experimentação enorme (há mais de três milhões de operações sob acupuntura atualmente praticadas na China), eles reduziram o número de ponto* a dois, ires ou quatro, no máximo, por operação. Trai a-se dos pontos que têm uma ação constante sobre um órgão ou uma dada região do corpo (evidentemente que não se tratava de abrir um ventre, por exemplo, sem ter garantido o efeito de anestesia).

Esses pontos são, em resumo, necessários e suficientes para te obter a ação desejada. E são precisamente esses os que foram indicados nesta obra. para o tratamento de doenças. Além disso, foram divididos e hierarquizados em pontos principais e pontos secundários (muitas vezes com ação mais circunscrita). Geralmente, os pontos principais bastam para se obter o efeito desejado; Os outros retorçam ou modulam a sua ação.

Esta sistematização constitui um progresso considerável, porque permitiu colocar o método praticamente em todas as mãos. É aquela que é utilizada pelos «médicos descalços» nos tratamentos que aplicam aos seus doentes, e não há razoes para que. nos nossos países, os mesmos resultados não possam vir a ser obtidos da mesma maneira.

Assim, o leitor encontrá-los-á na sequência dos capítulos seguintes, para o tratamento das diversas doenças que ai são referidas.

A Utilização de novos modos de ação ao seu nível

digitopuntura 10222 300x199 - A Utilização de novos modos de ação ao seu nível

Também aqui os progressos foram consideráveis, a tal ponto que podemos falar de revolução.
Existem, a par da tradição, duas formas de estimulação: as agulhas e a aplicação de calor sob a forma de cones incandescentes de pó, os «moxas».
Mesmo no domínio tradicional, observam-se modificações no modo de aplicação
Existia o hábito de tratar os doentes, fase após fase, com breves sessões espaçadas. Obtinham-se assim resultados interessantes, mas esses resultados melhoraram incomparavelmente com tratamentos em série: sessões de alguns minutos praticadas todos os dias, durante semanas, ou mesmo meses. Melhor ainda, acontece com bastante frequência que a agulha é fixada em permanência na pele. É esse um dos modos de estimulação permanente. Veremos outros na sequência deste trabalho.
Com efeito, os pesquisadores chineses multiplicaram os meios de ação ao nível dos pontos. Dai proporem, segundo as doenças, a utilização de ventosas, de pequenos martelos munidos de numerosas pontas, de incisões cirúrgicas, de colocação de agrafos ou de fios que servem ao cirurgião para fazer suturas.

Mas três métodos, sobretudo, atraem a nossa atenção:
— A aplicação de pastilhas;
— As injeções medicamentosas;
— A estimulação elétrica.
O primeiro método consiste em pôr pontos em contacto com uma pastilha metálica. Coberta com uma gaze. a pastilha pode assim ser mantida durante dias. se necessário, sem causar o menor incómodo. Esta pratica, certamente sedutora pela sua simplicidade, necessita, todavia, de ser verificada em grandes séries de doentes, a fim de se apreciar a sua eficácia.
As injeções medicamentosas são praticadas «dentro» do próprio ponto. Os produtos utilizados, pelos Chineses pertencem a farmacopeia tradicional, como a raiz da angélica, ou à medicina ocidental, como, segundo os casos, as vitaminas, extrato placentário, ou mesmo produtos homeopáticos.
Quanto a administração de corrente elétrica, ela é feita de duas maneiras diferentes. A partir de um gerador de eletricidade é possível ligar pequenos elétrodos a agulhas previamente introduzidas na pele; é esta a prática utilizada nas operações cirúrgicas: após a implantação das atulhai, a corrente é ligada e o doente é submetido à acupuntura
elétrica meia hora antes e durante todo o tempo de duração da intervenção. Esta passa-se então sem dor, o doente mantém-se perfeitamente consciente, fala, bebe e por vezes come no decurso da operação.
Mas pode também aplicar-se uma corrente elétrica diretamente sobre a pele. Este método começa a ser utilizado em todo o mundo. Especialmente na França, é desta forma que em certos hospitais, os toxicodependentes são desintoxicados sem medicamentos.
É certo que a maior parte destas técnicas são experimentais. No entanto, é também certo que a colocação permanente, ao nível dos pontos, de pequenos aparelhos transistorizados cria uma dimensão nova para esta espécie de medicina.
Além disso, em contrapartida, e bastante paradoxalmente, redescobre-se o mais simples método de estimulação: a massagem cutânea ou a pressão do dedo sobre os pontos, o que muitas vezes permite obter resultados igualmente interessantes; a única diferença com relação aos métodos mais sofisticados deve-se ao facto de uma estimulação mais
intensa provocar uma ação mais rápida, e sobre uma zona mais vasta.
Por exemplo, a pressão de um dedo sobre um ponto do pulso conduz a um resultado sobre a fronte, enquanto a aplicação da corrente elétrica se exerce também sobre todo o lado da cabeça e da nuca e até sobre parte do ombro vizinho.
Na verdade, seja qual for o meio utilizado, o que conta é a estimulação regular, intermitente ou continua, que, para além de uma ação imediata, já interessante, permite um tratamento de fundo de doenças tão graves como a hipertensão ou a esquizofrenia, por exemplo. Melhor ainda, tudo leva a crer que esta forma de utilização desempenha um papel preventivo sobre a aparição de doenças ou de perturbações de toda a ordem.
Temos assim á nossa disposição um método flexível:

— Que permite tratar numerosas doenças, estimulando, sem medicamentos, a reação do próprio doente;
— Que pode ser colocada cm todas as mãos, porque não apresenta o mínimo inconveniente ou perigo;
— Que pode, finalmente, ser associada a todas as terapêuticas que
quisermos, sem nenhuma contra-indicação.

Sem qualquer dúvida, trata-se de um dos caminhos do futuro para a medicina, uma via que ocupará um lugar privilegiado na luta contra as doenças.
Com efeito, ela satisfaz duas condições que lhe garantem, na nossa opinião, uma vantagem notável:

• Evita, no todo ou em parte, a medicação e, sobretudo, a perigosa automedicação química;
• Permite ao doente «tomar conta de si» e, sem reduzir minimamente o papel do médico, contribuir, pela sua assiduidade e pelas suas próprias observações, para a sua própria cura;
• Representa exatamente o tipo de medicina preventiva que os poderes públicos procuram — com muita razão —promover por toda a parte. É esta a esperança que formulamos e é esta a finalidade que propomos aos nossos leitores neste trabalho.

Descoberta dos mecanismos científicos da ação da Acupuntura

acupuntura primeclin 300x225 - Descoberta dos mecanismos científicos da ação da Acupuntura

Esta descoberta foi um dos mais espetaculares progressos não só da acupuntura. mas também da medicina em geral, neste último decénio É no domínio da dor que estes trabalhos se encontram mais avançados. Foi demonstrado que a estimulação dos pontos provoca reações a dois níveis:

• Ao nível da espinal medula, onde a sensação dolorosa e bloqueada por uma verdadeira «cancela» que impede a sua passagem para o cérebro. Pensou-se inicialmente que este bloqueio era de ordem elétrica e se fazia a um determinado nível da medula. Não é verdade; são vários andares medulares que estão interessados, e as estruturas nervosas segregam uma substância química, a substância P. cuja finalidade é reforçar a sensação dolorosa. A estimulação dos pontos bloqueia a libertação de substância P e reduz assim a importância da mensagem dolorosa.

• Por outro lado, ao nível do cérebro, são segregadas numerosas substâncias, denominadas mediadores químicos, que transmitem as ordens de uma célula nervosa para outra. Entre estes existem alguns, chamados endorfinas, que são verdadeiras morfinas naturais, substâncias antidor. Ora, e isto foi demonstrado de variadas maneiras, a acupuntura liberta essas morfinas naturais. Foram mesmo encontrados os pontos do cérebro onde elas são fabricadas em maior ou menor quantidade.

Além da questão da dor, outras descobertas foram feitas: conhece-se, mais ou menos, graças ao microscópio eletrónico, a estrutura dos pontos de acupuntura. Trata-se de pequenas formações nervosas, às quais chegam fibras nervosas particulares (provavelmente com origem no sistema nervoso do feto) que permitem transmitir a estimulação nervosa dez vezes mais depressa do que as outras formações nervosas. Compreende-se assim a razão pela qual. nas anestesias sob acupuntura é preciso iniciar a estimulação ainda antes do começo da operação para «fechar a cancela» antes da chegada da dor.
A par deste mecanismo, atualmente bem estabelecido, ainda há muita coisa a descobrir. Resumo esquematicamente as principais questões que se nos colocam;

— Que se passa ao longo dos misteriosos meridianos que sulcam o nosso corpo?
— Quais são as vias de passagem entre o ponto de estimulação e os recetores do cérebro?
— Por que é que alguns pontos têm uma ação direta (do mesmo lado do corpo) e outros uma ação cruzada (do outro lado)?
— Finalmente, como age a acupuntura diretamente sobre os órgãos? Não podemos esquecer que as endorfinas desempenham um papel na obesidade e na diabetes, e vimos que a acupuntura intervém na sua secreção.

A acupuntura abre assim um campo imenso de exploração a todos os níveis do nosso ser. Nesse sentido, foi possível dizer-se que da será uma das vias mais gloriosas da ciência medica do terceiro milénio.

Modo de emprego deste Livro

Acupuncture1 266x300 - Modo de emprego deste Livro

Tal como já escrevemos acima, o que conta é o ponto.
A sua estimulação, como já vimos, faz-se de diversas formas:

— Com as mãos do próprio doente, por simples pressão de um dedo. Neste caso, aplique uma demorada massagem em volta deste. O ponto encontra-se no centro e a pressão traduz-se por uma sensibilidade tanto mais nítida quanto maior for a necessidade do tratamento. Faça girar o dedo no sentido dos ponteiros do relógio, com maior ou menor força, se a afeção for mais ou menos aguda;
— Através de agulhas ou injeções medicamentosas, ou mesmo ligaduras cirúrgicas, mas a prática destas terapêuticas exige a sua aplicação por um médico;
— Ou, então — e talvez seja este o método com mais futuro, porque pode ser utilizado tanto por um médico como ele próprio doente—, por meio da colocação de uma estimulação permanente, sob a forma de pastilhas ou de um estimulador elétrico, dependente da mais rigorosa vigilância médica.

É interessante saber que os Chineses determinaram um certo número de critérios que permite avaliar a eficácia de um método.
Assim, é preciso insistir na «sensação de acupuntura» (feeling-sensation), a qual consiste em obter um efeito de adormecimento na zona a tratar, seja qual for o modo de estimulação (digital, com a agulha, elétrica). Massage fortemente o ponto: sentirá, após uma breve dor, uma impressão de formigueiro e de leve inchaço —se se trata de
uma dor, por exemplo, este substitui-a— ao nível da região-alvo. Quando se obtém esta sensação, podemos estar certos da eficácia do método.
Nos capítulos seguintes, referir-se-ão, particularmente, quais são as modalidades de aplicação mais habituais em cada caso.
Mas as indicações que aí são dadas não são imperativas. Cada um pode ajustar a sua terapêutica ao seu próprio caso, em função dos resultados obtidos, e manter o seu médico sempre informado e, se possível, também o autor destas linhas. Assim nascerá, esperamo-lo, uma troca de informações da qual a saúde será a grande beneficiada.

A evolução da Acupuntura

images 6 - A evolução da Acupuntura

É um dado atualmente adquirido que a acupuntura é o mais velho remédio do mundo.

As suas origens perdem-se na noite dos tempos; a prova é-nos fornecida pelas descobertas arqueológicas, na sequência das pesquisas imensamente praticadas na China, desde há uns quinze anos. Em túmulos que datam do 2. milénio antes de Cristo, os investigadores encontraram, ao lado dos sarcófagos de príncipes e princesas, agulhas de ouro e prata, as primeiras intactas, as segundas oxidadas, evidentemente.

Como é possível que não tenhamos qualquer documento escrito sobre as origens da acupuntura?

A principal razão decorre das regras draconianas estabelecidas por um imperador que reinou cerca do ano 200 antes de Cristo, o imperador Hoang-Ti, o qual mandou destruir todos os livros que existiam na China, porque nada deveria subsistir do que o antecedera.

Em contrapartida, ele próprio mandou redigir tratados de medicina e impôs literalmente o método ao escrever: «O meu desejo é que não voltem a ser dados medicamentos que envenenam… Desejo somente que sejam utilizadas as misteriosas agulhas de metal.»

Se estas eram misteriosas para ele. como não o serão para nós?

Após a morte deste terrível autocrata. os sobreviventes reuniram as suas recordações aos documentos por ele deixados, e assim se constituíram os principais «livros» de acupuntura. Esses livros, embora por vezes coincidam, divergem frequentemente, e até se contradizem. E é este, para um ocidental, o primeiro obstáculo da medicina tradicional: ela é CONTRADITÓRIA.

Posteriormente, durante os séculos que se seguiram, fez-se um esforço prodigioso de aprofundamento do método, mas num sentido que, aos nossos olhos, parece desconcertante e que mostra a profunda diferença que, separa o espírito ocidental do do Extremo-Oriente

Com efeito, os Chineses esforçaram-se por integrar a sua medicina, não num contexto anatómico ou biológico, tal como nós fizemos, mas na sua filosofia. E isto através da magia dos números.

Os Chineses sempre estiveram e ainda estão fascinados pelos números. Para o espírito chinês a harmonia do mundo repousa sobre combinações de números. O 5, o 9 e o 12 revestem -se de um valor particular. E esses números têm correspondências em todos os domínios: astronomia, agricultura, trabalhos quotidianos… e medicina.

Aos cinco sabores, aos cinco odores, aos cinco elementos fundamentais correspondem, no corpo humano, cinco órgãos primordiais. Tudo se reúne assim numa perfeita harmonia, que enche de satisfação o espírito chinês.

Este é o segundo obstáculo para um ocidental: a medicina chinesa é uma medicina FILOSÓFICA.

Mas esta verdadeira osmose da medicina e da filosofia, embora seja muito satisfatória para o espírito chinês, tem o seu preço. Com efeito, a sua aplicação põe em jogo regras de espírito e de raciocínio muito diferentes do raciocínio analítico e lógico ao qual estamos habituados.

As regras de utilização da medicina chinesa recorrem a noções que nos parecem puramente especulativas: pontos e meridianos, maravilhosos vasos, energias ancestrais ou perversas; são estas algumas das palavras que nos evocam os «espíritos animais» e as «virtudes maléficas» dos nossos médicos da Idade Média.

Este é um terceiro escolho para um espírito ocidental: a medicina chinesa é uma medicina ESOTÉRICA.

Esta medicina, com as suas originalidades, atravessou, imutável, mil e quinhentos anos de história e manteve-se, sem alteração, até por volta de 1960. Foi assim que chegou ao Ocidente, por várias vias sucessivas.

Como seria possível que, com os seus três caracteres (contradição, filosofia e esoterismo), ela não tivesse parecido antipática a um espírito médico ocidental, precisamente apaixonado pelo raciocínio dedutivo e pelos conhecimentos científicos?

Como é então possível que semelhante medicina tenha podido implantar-se entre nós?

A resposta é simples: graças à sua eficácia! Utilizadas segundo as regras chinesas, as agulhas de acupuntura enfrentam as doenças e melhoram ou curam estados patológicos com uma facilidade muitas vezes desconcertante, enquanto, por vezes, a mediana química confessa a sua impotência. E isto faz-se quase sem dor. sem toxicidade, sem medicamentos. Assim, foi a prática que levou á adesão de numerosos médicos ocidentais. Mas há que dizer que criticas e sarcasmos não faltaram: há vinte anos, era preciso ter muita fibra para alguém se confessar acupuntor. Depois, bruscamente, tudo mudou. E a mudança veio, como era de esperar, da pátria de origem, a China.

As razões desta modificação são triplas: primeiro, a mudança do estado de espírito das autoridades em relação á sua própria medicina; tudo foram mobilizado para a reabilitar. Depois, a necessidade de divulgar esta medicina pelo maior número possível de práticos, os «médicos, descalços», encarregados de distribuir tratamentos, até nas mais pequenas aldeias, a uma população de mil milhões de seres humanos. Finalmente, o interesse em fazer progredir esta medicina em domínios que os amigos não podiam prever. Para realizar operações cirúrgicas ou o tratamento da surdez, por exemplo, era necessário um programa de pesquisas práticas e cientificas. Estas diversas razões explicam a espantosa evolução da medicina chinesa, de há vinte anos para cá. Esta evolução fez-se em quatro vias cuja importância é considerável e que explicam esta obra.

Estas quatro vias são as seguintes:

— Descoberta dos mecanismos científicos da ação da acupuntura-

— Descoberta de novos pontos de acupuntura;

— «Especialização» cada vez maior dos pontos;

— Utilização de novos modos de ação ao seu nível.

A Acupuntura | Pontos que Curam | ferramenta de diagnóstico e esclarecimento.
Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com