Tag Archives: Médio oriente

A evolução da Acupuntura

images 6 - A evolução da Acupuntura

É um dado atualmente adquirido que a acupuntura é o mais velho remédio do mundo.

As suas origens perdem-se na noite dos tempos; a prova é-nos fornecida pelas descobertas arqueológicas, na sequência das pesquisas imensamente praticadas na China, desde há uns quinze anos. Em túmulos que datam do 2. milénio antes de Cristo, os investigadores encontraram, ao lado dos sarcófagos de príncipes e princesas, agulhas de ouro e prata, as primeiras intactas, as segundas oxidadas, evidentemente.

Como é possível que não tenhamos qualquer documento escrito sobre as origens da acupuntura?

A principal razão decorre das regras draconianas estabelecidas por um imperador que reinou cerca do ano 200 antes de Cristo, o imperador Hoang-Ti, o qual mandou destruir todos os livros que existiam na China, porque nada deveria subsistir do que o antecedera.

Em contrapartida, ele próprio mandou redigir tratados de medicina e impôs literalmente o método ao escrever: «O meu desejo é que não voltem a ser dados medicamentos que envenenam… Desejo somente que sejam utilizadas as misteriosas agulhas de metal.»

Se estas eram misteriosas para ele. como não o serão para nós?

Após a morte deste terrível autocrata. os sobreviventes reuniram as suas recordações aos documentos por ele deixados, e assim se constituíram os principais «livros» de acupuntura. Esses livros, embora por vezes coincidam, divergem frequentemente, e até se contradizem. E é este, para um ocidental, o primeiro obstáculo da medicina tradicional: ela é CONTRADITÓRIA.

Posteriormente, durante os séculos que se seguiram, fez-se um esforço prodigioso de aprofundamento do método, mas num sentido que, aos nossos olhos, parece desconcertante e que mostra a profunda diferença que, separa o espírito ocidental do do Extremo-Oriente

Com efeito, os Chineses esforçaram-se por integrar a sua medicina, não num contexto anatómico ou biológico, tal como nós fizemos, mas na sua filosofia. E isto através da magia dos números.

Os Chineses sempre estiveram e ainda estão fascinados pelos números. Para o espírito chinês a harmonia do mundo repousa sobre combinações de números. O 5, o 9 e o 12 revestem -se de um valor particular. E esses números têm correspondências em todos os domínios: astronomia, agricultura, trabalhos quotidianos… e medicina.

Aos cinco sabores, aos cinco odores, aos cinco elementos fundamentais correspondem, no corpo humano, cinco órgãos primordiais. Tudo se reúne assim numa perfeita harmonia, que enche de satisfação o espírito chinês.

Este é o segundo obstáculo para um ocidental: a medicina chinesa é uma medicina FILOSÓFICA.

Mas esta verdadeira osmose da medicina e da filosofia, embora seja muito satisfatória para o espírito chinês, tem o seu preço. Com efeito, a sua aplicação põe em jogo regras de espírito e de raciocínio muito diferentes do raciocínio analítico e lógico ao qual estamos habituados.

As regras de utilização da medicina chinesa recorrem a noções que nos parecem puramente especulativas: pontos e meridianos, maravilhosos vasos, energias ancestrais ou perversas; são estas algumas das palavras que nos evocam os «espíritos animais» e as «virtudes maléficas» dos nossos médicos da Idade Média.

Este é um terceiro escolho para um espírito ocidental: a medicina chinesa é uma medicina ESOTÉRICA.

Esta medicina, com as suas originalidades, atravessou, imutável, mil e quinhentos anos de história e manteve-se, sem alteração, até por volta de 1960. Foi assim que chegou ao Ocidente, por várias vias sucessivas.

Como seria possível que, com os seus três caracteres (contradição, filosofia e esoterismo), ela não tivesse parecido antipática a um espírito médico ocidental, precisamente apaixonado pelo raciocínio dedutivo e pelos conhecimentos científicos?

Como é então possível que semelhante medicina tenha podido implantar-se entre nós?

A resposta é simples: graças à sua eficácia! Utilizadas segundo as regras chinesas, as agulhas de acupuntura enfrentam as doenças e melhoram ou curam estados patológicos com uma facilidade muitas vezes desconcertante, enquanto, por vezes, a mediana química confessa a sua impotência. E isto faz-se quase sem dor. sem toxicidade, sem medicamentos. Assim, foi a prática que levou á adesão de numerosos médicos ocidentais. Mas há que dizer que criticas e sarcasmos não faltaram: há vinte anos, era preciso ter muita fibra para alguém se confessar acupuntor. Depois, bruscamente, tudo mudou. E a mudança veio, como era de esperar, da pátria de origem, a China.

As razões desta modificação são triplas: primeiro, a mudança do estado de espírito das autoridades em relação á sua própria medicina; tudo foram mobilizado para a reabilitar. Depois, a necessidade de divulgar esta medicina pelo maior número possível de práticos, os «médicos, descalços», encarregados de distribuir tratamentos, até nas mais pequenas aldeias, a uma população de mil milhões de seres humanos. Finalmente, o interesse em fazer progredir esta medicina em domínios que os amigos não podiam prever. Para realizar operações cirúrgicas ou o tratamento da surdez, por exemplo, era necessário um programa de pesquisas práticas e cientificas. Estas diversas razões explicam a espantosa evolução da medicina chinesa, de há vinte anos para cá. Esta evolução fez-se em quatro vias cuja importância é considerável e que explicam esta obra.

Estas quatro vias são as seguintes:

— Descoberta dos mecanismos científicos da ação da acupuntura-

— Descoberta de novos pontos de acupuntura;

— «Especialização» cada vez maior dos pontos;

— Utilização de novos modos de ação ao seu nível.

Tag "Médio oriente" | Pontos que Curam | ferramenta de diagnóstico e esclarecimento.
Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com